QUERIDOS AMIGOS DO BRASIL Visto que o Brasil é um país com o qual tenho mantido contato por vários anos, ensinando e promovendo cursos, e os brasileiros são pessoas as quais tenho grande estima, tenho o prazer de apresentar o meu livro.
Gostaria de apresentar a vocês a introdução do meu livro que foi publicado recentemente na Itália e na Holanda e espero que ele seja traduzido o mais rápido possível em português.

A minha intenção neste livro é oferecer aos leitores uma viagem, uma viagem para todas as pessoas que não conhecem ainda as danças meditativas e também para aquelas que já as conhecem mas desejam “algo mais”.

Iniciarei com uma poesia di Maurice Bejart:

Dançar quer dizer,
sobretudo comunicar,
unir-se,
encontrar-se,
falar com o próximo no profundo do seu ser.
A Dança é união,
de pessoa com pessoa,
de pessoa com o universo,
de pessoa com Deus.
(Maurice Bejart)

Lendo esta poesia , entendi perfeitamente como fosse importante escrever as minhas experiências, comunicar com tantas pessoas que conheci em todos estes anos e com as quais tive e tenho o privilégio de caminhar e de dançar junto. Frequentemente não nos resta tempo para explicações mais aprofundadas; se tinha e se tém o desejo de ter algo escrito para levar consigo, para ter em casa e poder reler, sempre que quiser, as frases que nos parecem mais importantes para aprofundar tudo o que foi realizado. Gostaria de comunicar-me com todas aquelas pessoas que ainda não conheço, mas que poderão conhecer-me um pouco através deste livro, e que espero “encontrar no círculo das danças”.
Podemos nos encontrar sem palavras, mas em um nível mais profundo, não verbal.
Podemos nos encontrar com os olhos, com o olhar, com o sorriso, com um abraço ou com as lágrimas.
Podemos nos encontrar em muitos níveis e a dança é um modo maravilhoso para realizar um encontro pessoal e autêntico.
Descubra-o você também como eu o descobri!!
Como aconteceu? Há muitos anos atrás.

Até aquele momento era muito importante para mim a medicina natural, ou seja curar o ser humano em uma prospectiva holística (mente, corpo e espírito). Neste modo pensei de ser uma pessoa realizada, mas evidentemente tinha outra missão na vida, ou seja a missão de comunicar através da dança, ensinando aos outros tudo aquilo que tinha aprendido e permiti-lhes de transmitir os meus ensinamentos a outras pessoas.

Só hoje consegui compreender o significado de um “ritual de iniciação”, que foi oferecido para mim e para o meu marido muitos anos atrás pelos habitantes de uma ilha no Pacífico.

Mas começamos por ordem. Depois de um período terrível, onde aconteceram muitas coisas desagradáveis, como uma doença grave e desilusões pessoais, meu marido e eu sentimos a necessidade de destacarmos do “nosso mundo”. Viajamos muito e foi neste período que encontramos aqueles habitantes do Pacífico, que até então não tinham jamais encontrado com um “homem branco”, mas tinham um extraordinário conhecimento das ervas medicinais. Vivemos também alguns meses em um convento nas Filipinas para estudar os curandeiros locais e em uma missão no nordeste da Tailândia, fronteira com Laos e Cambogia, onde conhecemos e aprendemos as danças das noviças.

Depois de todo este tempo longe de casa decidimos não nos afastar mais em lugares tão distantes da nossa casa. Então onde poderíamos ir? Pegamos um mapa e apontamos por acaso com o dedo uma cidadezinha pequena no sul da Alemanha, perto da fronteira com a Áustria. Dito e feito, fomos para lá a fazer um passeio, e quando chegamos ao Centro de Turismo fomos logo atraídos por um cartaz, no qual tinha escrito: “Dançar as flores curativas”.
O sol resplandecia no céu, mas depois de ter lido aquele cartaz ficamos indecisos se continuar o nosso passeio ou participar desse encontro. Naquele momento saiu uma senhora com um vestuário folclorístico que nos convidou: “venham dançar vocês também”! E resumindo, acabamos participando, meu marido e eu, durante todo o final de semana. No final, a professora da dança dos florais, a senhora Anastasia Geng, me perguntou se eu gostaria de continuar participando por toda a semana. (Só depois de algum tempo fiquei sabendo que esta semana tinha sido programada com muito tempo de antecedência e que não tinha mais lugar para novos inscritos). Dancei por toda a semana enquanto meu marido procurava fungos pelos bosques e preparava o jantar para o grupo. Tudo parecia um sonho que vivo ainda hoje. Tenho a maior gratidão por este momento de “nascimento” que enriqueceu a minha vida. Com tanto carinho este “recém nascido” cresceu e se transformou em um adolescente e continua ainda crescendo. Para dizer a verdade não sei quantos anos ele tém neste momento. Venham conhecer-lhe pessoalmente!

No o momento convido vocês a fazer isto através do livro, mas gostaria de convidar-lhes para dançar, para experimentar e para viajar comigo.

A viagem neste livro inicia com a introdução ao mundo das danças meditativas. A dança meditativa é vista como uma via para a conscientização aprofundando a união entre espaço, corpo e tempo. Não faltam as descrições das diversas fases do aprendizado das danças meditativas.

Começamos pelas danças litúrgicas: a liturgia em movimento e a descoberta da dança. No contexto religioso ou litúrgico a dança não é só um movimento, más um modo para exprimir as temáticas, encontrar-se e entender os símbolos. Através da dança e do movimento, os vários momentos litúrgicos da missa se enriquecem e ganham novo significado. Dançando juntos, a liturgia se transforma em um acontecimento comum, que envolve totalmente o homem e se transforma em uma linguagem da alma.

Não poderia deixar de fazer um sumário histórico da dança, começando pelas danças na Grécia, porque na cultura grega a dança é um dos valores nos quais se funda a experiência do ser humano em relacão ao mundo superior das divindades e à realidade da vida social. A dança acompanhou o homem grego em todos os momentos da sua existência fazendo com que ele se relacionasse com os deuses e com os outros homens. Na dança deles se espelham os mitos, os costumes e as crenças: descrevo aqui a dança Kore, a dança do eterno fluir das quatro estações. Dançando reevoco o grande início da vida, a morte e a ressurreição e deixo entrar tudo isto na minha vida, na minha consciência.

Depois existem as danças no Egito dos faraós e no Antigo Testamento. No salmo 150 se evidencia que a dança é um percurso interior que nos leva até a raíz mais profunda de todo o nosso ser, onde estamos ligados a “tudo aquilo que é”, mas ao mesmo tempo esta experiência leva o dançante a abrir-se para a vida ao seu redor e o estimula a restituir dançando aquilo que recebeu de Deus. Se solicita ao ser humano de louvar a Deus na própria totalidade do corpo, da mente e da alma.

Se fala também da corrente mística ebraica chamada Chassidismo e do papel da dança no cristianismo, partindo da tradição da igreja africana até as danças do século XX.
No capítulo Dançar os elementos da natureza: São Francisco de Assis,gostaria muito de transmitir a vocês a minha ligação com São Francisco eo amor que eu sinto pela natureza, e isto é o que tento fazer nos dias de dança que organizo periodicamente dedicados ao Cântico das Criaturas. Os famosos versos de São Francisco parecem ter assumido nos dia de hoje um valor de mensagem para a salvação do planeta, ameaçado pela degradação ecológica. E perante esta ameaça que põe em perigo a sobrevivência do homem, estamos hoje, talvez, mais dispostos a ouvir a mensagem de São Franciscco. Neste capítulo descrevo a dança do sol, da lua e a dança dedicada a São Francisco, Irmão Sol.
No capítulo que segue se fala dos símbolos. Na dança meditativa usamos símbolos, como o círculo (as danças meditativas são apresentadas em círculo), o labirinto, a cruz..

Quando trabalhamos com estes antigos símbolos, liberamos o potencial espiritual e a energia deles. E, como as danças, os símbolos podem ter sobre cada pessoas um efeito muito diferente, porque as nossas experiências são individuais. Pode ser que outros que seguem conosco um símbolo vivam experiências diferentes das nossas, as vezes até mesmo opostas. O símbulo contém não só a parte que eu vejo ou que quero ver, más toda a verdade,. É muito bom viver a linguagem profundamente curativa e holística das danças.Esta última reflexão nos leva diretamente ao próximo capítulo dedicado às danças meditativas como cura: em um artigo de 1916, Jung definia a expressão corpórea como um dos modos para dar forma ao inconsciente. Neste século muitos dançantes adquiriram a conscientização da força curativa da dança, valorizando as danças em círculo principalmente como uma experiência não verbal. Podemos ler neste capítulo, no qual se fala também das danças ligadas aos Florais de Bach, um exemplo relativo à elaboração do luto através da da dança.
As páginas dedicadas ao tema do Pai Nosso e aos chakras constituem quase um livro inspirado pelo pensamento de Arnold Bittlinger, que encontrei pessoalmente e que fêz pesquisas sobre a oração do Pai Nosso, lido em maneira incomum, começando pelo fim.

Se inicia com uma breve explicação sobre Chakra, chamado também de flor de lótus.
Em seguida encontramos as frases do Pai Nosso; cada um desse é combinado com um chakra e com uma meditação. É descrito também uma linda gestualidade sobre as palavras do Pai Nosso. É um modo de orar com todo o nosso ser que não posso deixar de convidar todos vocês a experimentarem!
Na verdade, o percurso inicia próprio com o capítulo Não posso sentar-me, porque a minha alma dança. É um convite para dançar as danças meditativas, como apoio da meditação do chakra e o Pai Nosso. É um percurso que não se baseia nas danças litúrgicas em estreita relação com a oração do Pai Nosso mas na relação dos chakras com os quatro elementos e com os símbolos. Quem se abre a estas meditações, se coloca sobre uma via, e esta via inicia com um primeiro passo. Convido todos vocês a dançarem, a sentirem, a lerem e a se saborearem. Caminhem, dancem sobre a sua via da vida. Venham! Dançamos juntos….